quinta-feira, 28 de novembro de 2013



António Arnaut desafia Maçonaria a rejeitar "capitalismo opressivo"

O escritor António Arnaut, antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), exortou hoje a Maçonaria a rejeitar o "capitalismo opressivo" em Portugal e no mundo, lamentando o seu silêncio. 

"Todos aqueles que sentem o povo e a Pátria não podem ficar calados, sob pena de serem cúmplices do drama social que estamos a viver", declarou António Arnaut à agência Lusa, a propósito de dois livros da sua autoria que vão ser apresentados no sábado, em Coimbra.

Na sua opinião, a ordem maçónica, que integra há várias décadas, "devia realmente intervir" e condenar publicamente "este capitalismo opressivo", tanto no país, como a nível global.

"A Maçonaria devia ter dito aquilo que disse o papa Francisco: o neoliberalismo faz os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos", disse.

Para António Arnaut, escritor, advogado e um dos fundadores do PS, "trata-se, aqui, de intervenção no plano dos direitos humanos, da dignidade do homem e da própria defesa da identidade e da soberania da Pátria". A Maçonaria "devia ter uma palavra e tem estado calada", disse.

"Devia fazer alguma coisa. Devia realmente utilizar os instrumentos do ofício: a régua e o esquadro, que significam a retidão e a justiça, e o compasso, que significa o livre pensamento e a liberdade", acrescentou.

Os dois últimos livros de António Arnaut - "Alfabeto íntimo e outros poemas" e "Iluminuras - Adágios, incisões e reflexões" - serão apresentados no sábado, às 15:00, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, pelo professor universitário Seabra Pereira e pela jornalista Clara Ferreira Alves, respetivamente.

Numa das reflexões, na segunda obra, o "maçon" e antigo grão-mestre do GOL - Maçonaria Portuguesa questiona o papel da instituição "perante as chagas de pobreza e sofrimento que assolam o mundo e cobrem de desespero o corpo exausto de Portugal".

Defendendo que, num tempo "de tantas desigualdades e injustiças evitáveis, não basta proclamar os princípios", afirma que, "se a Maçonaria não tiver lugar na consciência coletiva, não está na consciência individual dos que juraram lutar pelos seus valores".

quarta-feira, 3 de abril de 2013

História de Portugal (muito condensada)

Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe
E acabou por se vingar na pandilha de mauritanos
que vivia do outro lado do Tejo.
Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer
e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero
porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu.

Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei,
bateu também as botas e foi desta para melhor.
Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada,
apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data
que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão
e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho
que era dado aos desportos náuticos.
De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render
e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão
com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz,
Calecute, Malaca, Timor e Macau.



Quando a coisa deu para o torto,
ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação
e resolveu ir afogar as mágoas,
provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo.

Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou
de tomar conta do estaminé até chegar outro João
que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil
e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos.
Com conventos a mais e dinheiro menos,
as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar
numa manhã de Novembro.

Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo,
já estava tudo arranjado outra vez,
graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage
e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas.



Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar
se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel,
teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão
que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano
que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios.

A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa
E foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos
Quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço.



O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco
Na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles
E disparados por alemães. Ao intervalo, já perdiam por muitos
mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco
apareceu a flutuar por cima de uma azinheira
e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos
e mais tarde em beatos.

Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado
mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa
mesmo que andassem para aí a espalhar boatos.



Comunistas dum camandro !
Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo
e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite
e um molho cravos em cima do assunto.
Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel
que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira
numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.
E o Cavaco ?
O Cavaco foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo.